Nos últimos dias tenho pensado a respeito do aborto. Li diversos posicionamentos. E, depois de muito refletir, tomei a iniciativa de tentar escrever um pouco do que tenho ponderado a respeito...
Não tenho nada pronto. Apresento apenas rabiscos, pensamentos inacabados... Porém, sinto uma dor profunda dentro de mim...
Sinto dor pelas mulheres que morrem em procedimentos clandestinos! Dói o fato de, ao se perceberem grávidas, não verem outra possibilidade além da interrupção dessa vida que insiste em se formar dentro delas! Porém, sofro também pelos bebês (não consigo chamar simplesmente de fetos) que têm suas vidas interrompidas, e saem dilacerados daquele que deveria ser o lugar mais seguro e protegido do universo!
Sinto pelos homens que poucas vezes contribuem com métodos contraceptivos deixando a responsabilidade inteiramente com as mulheres. E sinto pela incapacidade que muitos têm de assumir seus filhos e acompanharem as mulheres nessa incrível e maravilhosa aventura da maternidade/paternidade.
Sinto ao perceber que aquela vida que teima em acontecer quando o método contraceptivo falha é considerada fardo pesado, ao invés de ser acolhida como presente/dádiva, que pode vir para mostrar um mundo diferente, cheio de amor e vivências que podem ser incríveis! (Afinal, a vida é assim! Ela acontece! Não tem muito como planejar, dirigir... A vida não é receita de bolo, forma de bolacha... É dinâmica, explosiva, não delimitável... Precisa apenas ser vivida da melhor forma possível).
Sinto pelas mulheres que, ao optarem por continuar a gestação são abandonadas por seus parceiros, e seguem corajosamente a tarefa de gestar/criar sozinhas a criança. Como admiro a força e a coragem dessas mulheres! E, como sinto pelos homens que perdem as melhores histórias, as melhores vivências, os melhores sorrisos, os melhores abraços... (como sinto por isso!).
Sinto também pelas mulheres que sofrem ao não terem, na hora do parto, um acompanhamento digno nesse instante tão crucial de suas vidas. Sinto dor pelas mulheres que são maltratadas e abusadas nesse momento de constrangimento, expectativa, medo, tensão e profunda ansiedade!
Sinto por perceber que a lei que já permite o aborto desde 1940(1) não basta para “remediar” gestações indesejadas. Fico condoída ao perceber que o que muitos na verdade querem, é a liberdade de praticar o aborto como método contraceptivo e controle populacional!
Sinto dor ao perceber que, quanto mais se fala do aborto, menos se fala da contracepção. E assim, as crianças e adolescentes ao invés de aprenderem a prevenir, acostumar-se-ão a simplesmente remediar seus atos, e no futuro, será normal recorrer ao aborto como método contraceptivo, sem qualquer culpa, receio ou mesmo a consciência de estar interrompendo uma vida.
Por fim, sinto dor pela deturpação do sexo, que foi pensado para ser desfrutado num encontro de duas almas que se amam e que hoje não passa de algo a ser “curtido” por dois corpos que se usam!
Sinto dor! Sinto tanto que não consigo parar de pensar em tudo e mais um pouco... Porém, preciso afirmar que sou a favor da vida!
Sou a favor da vida do bebê, que no segundo mês de gestação (8 semanas), já tem seu coração pulsando a 150 batimentos por minuto. É nessa fase também que se inicia a formação do sistema nervoso e dos aparelhos digestivo, circulatório e respiratório. Os olhos, a boca, o nariz, os braços e as pernas também começam a se desenvolver. Tudo isso, nesse pequeno ser que tem apenas 4 cm de comprimento. Com 12 semanas, começa o desenvolvimento do esqueleto, das costelas e dos dedos de mãos e pés. Todos os órgãos internos se formam até o fim do terceiro mês (as tão faladas 12 semanas) (2). Como dizer que ainda não existe uma vida humana? Como ainda afirmar que esse bebê não passa de um amontoado de células disformes?
No entanto, sou também a favor da vida das mulheres! Como queria que todas tivessem o privilégio de viver de fato uma Vida (sem abusos, violências, gestações não planejadas, abandonos parentais e a profunda solidão e desespero, que acarretam no fim, na eliminação de outra vida).
E, por fim, sou a favor da vida dos homens, que na grande maioria dos casos são também vítimas de lares desfeitos, de abandonos parentais, de violência doméstica, da cultura machista impregnada há gerações... Como queria que todo homem tivesse outro homem maduro, bem resolvido e capaz de ajudar na formação desse que precisa aprender que mulher é seu semelhante, não um objeto que pode ser possuído e manipulado como melhor lhe convier!
Enfim... tenho a convicção de que lucubrei sobre utopias. Mas, como queria que todos pudessem de fato viver a vida plena e abundante (3) que é ofertada gratuitamente por aquele É A VIDA (4)!
Débora Ramlow
Curitiba, agosto de 2018
1. conforme artigo 128 do Código Penal Brasileiro que isenta de punição o médico que realizar aborto para salvar a vida da gestante ou se a gravidez resultar de estupro. Mais recentemente, em 2012, casos de anencefalia fetal também foram incluídos nesse rol em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).Mas é a lei 12.845, de agosto de 2013, que orienta o atendimento dos profissionais de saúde no serviço público focado na interrupção da gestação dentro dos meios legais. A padronização da assistência e dos procedimentos adotados nesses casos é definida em duas normas técnicas do Ministério da Saúde: Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes e Atenção Humanizada ao Abortamento (http://www.clicrbs.com.br/sites/…/dc_aborto_legal/index.html
3. João 10.10
4. João 14.6
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